Sobre peitos, aquilo roxo, photoshop, eleições e outras bizarrices

Data 22/08/2012 14:57:31 | Tóopico: Editorial

Nos dia 20 de julho passado fazia despretensiosamente um passeio pelo centro histórico de Curitiba em companhia de minha companheira Marisa e do casal de amigos Cláudio e Marilza. Mesmo com dois mapas, percorríamos desorganizadamente a cidade e suas ruas, avenidas, vielas, becos e praças e, a cada momento, íamos nos encantando com tudo. Curitiba é realmente bela. De repente, ao passar pelo Largo da Ordem, um cartaz afixado num dos casarões chamou a atenção do Cláudio e ele, a nossa. Não sei bem o que achei na hora e, diante da surpresa, o riso veio ao mesmo tempo que o constrangimento de mineiro e, após do impacto, resolvi admirar e fotografar a imagem, essa que você pode ver aqui postada. Isso mesmo, essa imagem de um par de peitos, belos peitos de mulher acompanhada pelo slogan de campanha: “Pra mudar Curitiba tem que ter peito!” Arrepare bem que são peitos bem desenhados, alinhados, não sei se acariciados e tratados pelo photoshop, cuja dona é a candidata à vereadora Xênia Mello, do PSOL, como bem informa o cartaz. Como complemento ao slogan, vem a frase da música do Caetano Veloso: “gente é pra brilhar”.

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 Foto: Osias Ribeiro Neves 
 
Brilho maior não há, os peitos da moça são realmente belos, perfeitos e mexem com o imaginário de qualquer transeunte, além, é claro, de causar inveja em muitas mulheres. É sabido e já faz parte do folclore que outras pessoas já mostraram outras partes do corpo ou, na melhor das hipóteses, as citaram num rompante político. Lembro-me, na década de 90, de ouvir um presidente da república, de triste memória, bravatear que tinha “aquilo” roxo. Queria mostrar a sua macheza no poder, mas, para os menos avisados, deixou no ar o que seria “aquilo”. O dicionário Houaiss tem a seguinte definição: “pronome demonstrativo que designa algo que se encontra distante, no espaço ou no tempo, tanto do falante como do ouvinte”. Acho que o cara confundiu-se. De qualquer maneira, já pensou se ele mostra “aquilo” pra gente e ainda sem photoshop? E se não for roxo? E se for um desses pálidos, esquálidos e vencidos?
Melhor, voltemos à mocinha dos peitos da mudança de Curitiba. O que seria possível mudar na bela cidade com os peitos? Ser mãe de leite e amamentar crianças pobres poderia ser uma alternativa? Peitar os poderosos? Talvez. Verear para os sem peitos? Criar leis municipais sobre aleitamento materno?  Mudar Curitiba com os peitos, como seria isso? É preciso reconhecer que a moça, além de mostrar os peitos, tem coragem! Será que uma cidade como a Curitiba não merece algo mais que peitos na política, ainda que tão bem manufaturados? Juro que se meu tio Otávio e sua insanidade latente ainda estivessem entre nós, eu o perguntaria: “Tio, o que o senhor acha de votar nesses peitos?” A resposta seria imprevisível, entretanto, após a censura imediata viria  os elogios aos peitos da moça e, talvez até fizesse uma descrição mais acadêmica da anatomia “peital” da Xênia, afinal ele era aficionado com a medicina e, mesmo não tendo estudado, lia muito sobre o assunto e, principalmente, era admirador dos belos apetrechos femininos.
E se a moda pega? Imaginem; os candidatos mostrando aquilo roxo, outros azul, amarelo, preto, branco, pardo. Uns tatuados, outros esfolados, castrados, cansados, obtusos, rendidos, inacabados e etc. e tal, enquanto as candidatas disponibilizam uma boa diversidade de partes em cartazes, comícios e até na televisão, local que se presta mais a isso. Onde iríamos parar? E, depois das eleições, alguém, como o indiscreto tio Otávio, nos perguntaria: “Em quem você votou para vereador?” Certamente não nos lembraríamos do nome e soltaríamos o descritivo voto-cidadão: “votei naquele que tem uma bola só” ou, “votei naquela que tem três seios, achei que ela tem mais peito para encarar essa barra”.
Essa coisa vem de longe, contudo está ficando sofisticada e mais libertina. Certa vez, numa das pescarias que fizemos, meu pai me contou que idos de 1954, numa das discussões políticas entre meus dois avós, a frase “JK não governa bem porque não tem os culhões do Getúlio!”, dita pelo vovô Carneiro, encerrou a conversa com vô Alípio e que muito tempo depois ele mesmo repetiu a frase para atacar um desses bajuladores de plantão.
O certo é que a moça de Curitiba está metendo os peitos na política. Tomara que, além dos peitos, ela tenha consciência para assumir o importante posto que pleiteia e possa realmente, com ou sem peitos, mudar Curitiba para melhor. 
 
Osias Ribeiro Neves




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