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Enviado por admin em 27/07/2011 14:10:00 ( 986 leituras )

Danilo dos Santos Pereira

Pudim de cachaça é assim mesmo. Basta ficar de bobeira num boteco qualquer e o talzinho se aproxima sem nenhum pudor, te pega pelo braço e ainda faz chuveirinho. Se halterocopista noturno de Belô pudesse obter patrocínio, eu bateria às portas daquele Banco que fazia do guarda-chuva um símbolo de marketing e aí era moleza. Mas, agüentar essa cambada de pudins serrando pinga e tira-gosto e jogando conversa fora que ninguém quer saber de ouvir, é parada duríssima.

 
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“Capital nacional dos barzinhos”, a capital idem das Alterosas tem bebum que não acaba mais. Deveria ser alcunhada a Capital Brasileira dos Esponjas. O chato é que além de bebuns, uns chatos por excelência, cada um deles possui uma variante de adjetivos e por isso é que pau d’agua também quer dizer serrote, pedinte, cara de pau, babão, inoportuno, indesejável. Aturar bebuns é acima de tudo um ato de caridade, pois eles são mesmo de amargar e estão por aí aos montes, invadindo esta belíssima cidade e seus botecos, botequins e bodegas. Invadem a noite propriamente dita e até mesmo a paciência de quem está na chuva para se molhar. Tem o falastrão; o poeta; o apaixonado a destilar dor de cotovelo; o bobo alegre; o chorão; e até, dentre outros mais, o filósofo, este provavelmente o mais chato de todos.

A sabedoria popular já exauriu praticamente todas as reflexões possíveis a respeito desses cavaleiros de triste figura. Chegou-se a compará-los com animais, fórmula bem humorada de lidar com essas figurinhas carimbadas de nossa querida belzonte e alhures. Do interessantíssimo zoológico, minha “preferência” (assim mesmo entre aspas, porque preferência por bebuns é coisa de sadomasô e eu  não labuto nesse departamento), recai sobre três espécimes manjadíssimas, quais sejam o macaco, o porco e o leão, não necessariamente nessa ordem.

Dotado de idéias parecidas com as de um certo ex-Ministro do Trabalho que, aliás, deu muito trabalho ao Presidente da época, o porco  entende que cachorro também é gente e, magnânimo que é, vive a alimentá-lo na modalidade boca-a-boca. Conta-nos velha e esfarrapada anedota que o porco vive tentando colocar ordem na casa. Olhando para a própria barriga, diz com autoridade: - Ou vocês entram num acordo aí dentro ou eu ponho todos no olho da rua!

Alegria (e tristeza) da família, o macaco é o comandante dos tradicionais churrascos familiares e demais festinhas do clã. Possui um senso de humor de lascar o cano, distribui cocões  nas cabeças dos pequeninos, acende fósforos com o intuito de  esquentar traseiros distraídos e, dentre outras torpezas, ainda faz chifrinhos na hora das fotografias. Está completamente à vontade no seu habitat e pode quase tudo o que quiser, pois a família sempre quebra o galho e perdoa seus desatinos.  È bem verdade que às vezes vira ovelha desgarrada e quando aparece com suas esquisitices em terra estrangeira, ao invés do galho, os circunstantes costumam quebrar a cara do macaco.

Agora, o leão, faça-me o favor, é de dar nó em pingo d’agua e ainda por fogo nas pontas. Quem não conhece um? Eu, de minha parte conheço. Noutro dia mesmo, ali por volta de duas e trinta da matina, estava eu a caminho do lar-doce-lar quando me deparei com o Toninho “pirigoso”, a quem  eu conhecia desde velhos carnavais e não tive como me furtar a um convite para algumas saideiras. Entramos num boteco de ótimo tira gosto e ficamos batendo uma resenha. Lá pelas tantas e tomado de alto teor etílico, sem quê nem pra quê, o Toninho rugiu impropérios pra tudo quanto foi lado e resolveu encarar todo mundo. Não fosse meu olímpico talento de corredor e certamente eu teria apanhado junto. E a confusão que ele aprontou foi tamanha, que eu estou correndo até hoje.

Foi desse jeito mesmo que eu descobri a origem do apelido do Toninho. Quando ele fica tonto, é muito “pirigoso” para o acompanhante. De qualquer forma, ficou bem claro que o maior problema do leão é correr o risco de apanhar pra cachorro.

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