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Enviado por admin em 17/08/2011 11:00:00 ( 911 leituras )

Vivo em Belo Horizonte desde 1949. Pegando uma carona nos versos de Drummond, principalmente nasci em Belo Horizonte e, por isso, esse ar interiorano e desconfiado de quem observa e escuta muito e fala tão pouco. Aprendi com meu pai que a vida e o mundo continuam depois da esquina e que a Serra do Curral não é limite e sim, acidente geográfico que emoldura a cidade. Apesar de tudo isso, nunca esbocei nenhum movimento que pudesse me tirar do convívio das alterosas, mesmo com os tantos problemas pelos quais a cidade passou - e ainda enfrenta.

 
Belo Horizonte, planejada e construída para ser a capital dos mineiros, tornou-se famosa por suas esquinas, praças e parques onde a gente passeava com a família, encontrava os amigos e podia, tranquilamente, trocar um dedo de prosa. Nas minhas lembranças estão presentes a Praça Sete, a Praça Raul Soares, a Praça da Liberdade, a Praça da Estação, Pracinha da Igreja do Padre Eustáquio, a Praça de Santa Tereza, a Praça de Santa Efigênia e a Praça da Igreja, no Bairro Carlos Prates. Em todas elas, estive presente, nos footings dos finais de semanas, em encontros com amigos, shows de música, passeios com namoradas e em movimentos grevistas, além das passeatas estudantis nos anos 60 e 70, quando a barra pesou com o endurecimento da ditadura.

Os parques também faziam a festa da população, especialmente o Parque Municipal no centro da cidade, possivelmente o espaço mais democrático e mais popular da época em que era aberto, sem as estúpidas grades, hoje tão necessárias. Em décadas passadas outros parques enriqueceram os espaços públicos da cidade, entre eles, o Parque das Mangabeiras e o Lagoa do Nado onde, inúmeras vezes, fui levar minhas filhas em saudáveis e alegres passeios. Surgiram outras praças na cidade, a mais famosa delas a Praça do Papa, no alto da Av. Afonso Pena.

Em um hiato de mais de 15 anos, boa parte desses locais não podia mais ser freqüentada sem medo e sem risco de assalto, não havendo conforto nem beleza a apreciar. Muitos estavam abandonados pelo poder público, sendo então ocupados pela marginália, pela sujeira, pelo descaso, pela tristeza. O primeiro sopro de esperança veio quando a Praça da Liberdade voltou a ser ocupada pelas pessoas, e a outrora feira “hippie” conquistou a Av. Afonso Pena, com espaço suficiente para as proporções que este evento adquiriu. Mas anos se passaram e nada mais ocorreu neste sentido.
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Felizmente, hoje a realidade mudou: há muito não se via por parte do poder público um cuidado tão grande e um carinho especial para com a nossa Belo Horizonte. Depois de anos de abandono, a Praça da Estação e a Praça Raul Soares foram reformadas e entregues à população, assim como a revitalização da rua dos Caetés e da Praça Sete. A prefeitura construiu o Parque Ecológico da Pampulha, em frente à Toca da Raposa, num espaço assoreado da Lagoa, onde aos sábados e domingos se pode ver o povo ocupando o seu espaço.

 

Nos dois últimos finais de semana, fazendo a minha caminhada na orla da Lagoa da Pampulha, fiz questão de entrar no Parque Ecológico e percorrê-lo inteiramente. Além de constatar o crescimento das árvores, de ver ampliada a população das capivaras tomando sol (havia mais de 30), percebi o quanto as pessoas estão curtindo aquele espaço. Muitas famílias debaixo das ainda curtas sombras com toalhas estendidas fazendo piquenique, crianças soltas correndo com seus brinquedos, muitas delas jogando bola com os pais e outras, também com os adultos, soltando pipas e colorindo o céu da região numa descontração de espantar, naquele ambiente seguro, belo e agradável, num encontro comunitário de gente vinda dos mais diversos pontos da cidade e da Região Metropolitana. Confesso que fiquei preocupado com o tal do cerol mas, na saída, observei o controle feito pelos profissionais da portaria conferindo cada manivela, carretéis e latas de linha.

Na Praça da Estação o interessante museu de Artes e Ofícios ocupa o belo prédio histórico, restaurado, assim como a praça e suas palmeiras imperiais. Casais passeiam com crianças, idosos batem papo nos bancos, jovens se encontram para namorar e tocar violão, pessoas de todas as idades fazem caminhadas, cena tão comum na Praça da Liberdade. A diferença é que a Praça da Estação já foi um dos locais mais perigosos e escuros do centro da cidade. Muitos julgavam improvável revitalizar aquele enorme espaço. Certamente acontecerá o mesmo com a Praça Raul Soares e sua belíssima fonte luminosa.

O povo está reencontrando, depois de tanto tempo, as praças, os parques e as ruas como espaços públicos democráticos, e precisa deles se apropriar e curtir como extensão da sua casa. Na minha observação de cidadão, não posso deixar de registrar a minha satisfação com o que vejo e constatar que, mesmo com tantos problemas ainda por resolver e correndo o risco de cometer alguma injustiça, Belo Horizonte nunca esteve tão bem cuidada pelo poder público. Esse mérito é preciso creditar ao atual administrador Fernando Pimentel e ao governador Aécio Neves e suas respectivas equipes. Ambos souberam colocar de lado divergências partidárias e firmar parcerias para o bem da cidade e para a felicidade dos cidadãos belo-horizontinos.

Osias Ribeiro Neves
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