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Enviado por marina em 25/09/2012 13:36:37 ( 1611 leituras )
Dentre as lojas da galeria localizada na Rua Pernambuco, 1.070, na Savassi, a situada na sala de número 115, desperta a atenção de quem passa. A parede adornada por modelos variados de câmeras Super-8, um relógio digital que imita uma claquete, disposto sobre um computador, a imagem de Leni Riefenstahl, conhecida como a ‘cineasta de Hitler’, além de quadros com réplicas de cartazes de filmes expressionistas alemães, atraem olhares. Diante da porta de vidro, o passante é apresentado ao dono do local antes mesmo que ele se mostre em pessoa.  É a letra da música ‘Tocando em frente’, de Renato Teixeira, e frases como a retirada do livro ‘O pequeno príncipe’, de Antoine de Saint-Exupéry, que diz: “O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração”, que vão revelando contornos do homem que parece levar a vida num ritmo desconhecido de quem partilha com ele o espaço da metrópole belo-horizontina.
 
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Parede diante da porta de entrada da Eurovideo
Foto: Aline Xavier
 

Sob o nome Eurovídeo, aquele que apenas seguia, vai ao encontro de Francisco Soares Filho, 61, ao adentrar o local onde ele exerce o ofício a que tem se dedicado há mais de 40 anos.  O homem de expressão tranquila recupera mais do que filmes antigos e áudios em fitas de rolo, cassete e vinil, em realidade, reaviva memórias incomensuráveis. “Outro dia eu recuperei este filme em 16 mm e o telecinei, processo utilizado para passar gravações em Super-8 para vídeo. É a filmagem de um casamento ocorrido há 50 anos, na cidade de Lavras”. Alguns dias após a entrega do trabalho “recebi um telefonema de uma das filhas do casal, agradecendo pela grande alegria que puderam dar aos pais na comemoração de suas Bodas de Ouro”, conta Francisco entusiasmado, enquanto indica com as pontas dos dedos, as imagens do casamento que passaram a compor a capa do DVD em que a película foi gravada.


Sem anúncios, estratégias de marketing ou funcionários, Francisco diariamente recebe novos clientes. Amigos de amigos que ao adentrarem o ambiente acolhedor, se encantam pelo espaço, simpatia e discrição do proprietário. “Trabalho sozinho, e, por este motivo, só pego trabalhos que sei que o tempo vai me permitir cumprir. Recebo clientes do interior mineiro, até de Goiás e Brasília, que me procuram, na maioria das vezes, por indicação de outras pessoas que já fizeram algum trabalho comigo. Outro dia a visita de uma cliente de origem europeia, me deu grande alegria ao dizer que escutou numa casa de um conhecido na Bélgica, onde era exibido um vídeo, referências e elogios do anfitrião a meu nome, citando, para surpresa dos convidados de BH, que o trabalho foi feito aqui na Eurovídeo.”


São os clientes que pouco a pouco vão se tornando amigos, que ajudam a compor o cenário que encanta a quem passa em frente à Eurovídeo. “Tenho câmera de 50 anos atrás. Há cliente que após fazer algum trabalho comigo diz: ‘Francisco, eu estou com um aparelho que você vai gostar demais!’. E me presenteia.”


Advogado por formação, Francisco nunca exerceu a profissão na qual se diplomou em 1989. “Há pouco tempo me lembrei de que não fui buscar o diploma, então verifiquei se era possível requerê-lo. A moça me disse que levariam três meses para o diploma sair. Ai eu falei: ‘isso tudo!’, e ela me disse: ‘se o senhor esperou 27 anos, três meses não é nada’. Então resolvi deixar isso pra lá.”


“Corrompido pelo cinema”, como ele mesmo diz, a verdadeira escola de Francisco foi o Goethe-Institut, instituição do governo alemão que atuava em Belo Horizonte em convênio com a Sociedade Cultural Teuto Brasileira, na promoção da cultura alemã. “Eu participava de todos os cursos, workshops que vinham da Alemanha, sobre cinema, vídeo, produção e direção, oferecidos pela central do Goethe-Institut de Munique. Não podia ser regularmente matriculado, pois era o responsável pela produção dos eventos, com isso, obrigatoriamente ou mesmo por grande interesse em alguns temas, acabava participando de todos. Foi assim que eu acabei me influenciando pelo trabalho de várias personalidades do vídeo, cinema, das artes plásticas e da cultura alemã em geral. Tornei-me um prático, autodidata”. Nesse período Francisco teve a oportunidade de partilhar o espaço da sala de aula com nomes conhecidos, assistir palestras e seminários com Éder Santos, Lucas Bambozi, Geraldo Veloso, Ricardo Gomes Leite, Vitor de Almeida, Paulo Augusto Gomes, Fábio Leite, bem como inúmeros críticos e diretores de cinema e teatro, e personalidades da cultura alemã.

 

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Francisco analisando filme de 16mm
Foto: Aline Xavier 

 

Mas sua entrada na instituição não ocorreu devido a objetivos acadêmicos. Ainda menino, em 1966, Francisco começou a trabalhar no Goethe-Institut. Carlos Rodolfo Schneider, então secretário geral da instituição, precisava de uma pessoa para auxiliar na entrega de correspondências, já que o rapaz que exercia a função havia deixado o emprego. “Então meu irmão disse que eu poderia ajudar durante um mês até arranjarem uma nova pessoa. Quando eu cheguei à instituição, seu Schneider falou: ‘Mas ele é um menino! Não vai aguentar fazer esse serviço’”.


A descrença na capacidade de Francisco não impediu sua entrada no Goethe-Institut. Com apenas 13 anos, ele percorria as ruas de Belo Horizonte como office boy, e, em outras ocasiões, ainda fazia a limpeza da instituição. Nessa época o Goethe-Institut funcionava no 13° andar do edifício Helena Passig, na Praça Sete.  Em 1968, Francisco presenciou uma cena marcante em sua história: “Havia muita quebradeira de estudante. Eu ficava no 13° andar e assistia toda aquela confusão lá de cima. Lembro que os militares enchiam a praça de carros militares, e como o vidro da janela era muito rente, porque não havia marquise, parecia que os carros ficavam nos meus pés e eu em cima deles. Em meio à confusão eram lançadas bombas de gás lacrimogêneo nos estudantes. Eu, muito jovem, tinha uma visão completamente distorcida de toda aquela situação. Como eu já gostava muito de trabalhar, para mim os estudantes eram malandros, baderneiros, torcia para a polícia, falando que tinham que bater mesmo.” Mais tarde, Francisco viria a descobrir que, naquele 13 de dezembro de 1968, ele havia presenciado uma manifestação contra a proclamação do Ato Institucional Número 5 (AI-5).


Da condição de office boy  e de auxiliar de serviços gerais, pouco a pouco o menino Francisco conquistou a confiança da diretoria do instituto, se tornando ‘o faz tudo’ do lugar. Desde a limpeza à construção de equipamentos para a exibição de filmes até a organização de exposições oriundas da Alemanha e assessoria de imprensa. “Passei por várias áreas de trabalho no Goethe-Institut. Lembro que os filmes eram revisados e rebobinados manualmente, então eu peguei um ventilador e montei uma moviola. Virei o responsável pela exibição, divulgação e produção de toda programação cultural do Goethe-Institut que vinha da Alemanha.”


Na década de1970, o Goethe-Institut passou a ocupar os porões do Colégio Arnaldo, no bairro Funcionários. Por um longo período se teve a impressão de que as duas instituições eram uma só. “O Colégio Arnaldo tinha a fama de ter porões que abrigavam nazistas. Com o estabelecimento do Goethe-Institut, ficou aquela coisa no ar. O que não tinha nada a ver, porque o instituto sempre foi uma instituição meramente cultural”.


No Colégio Arnaldo, Francisco criou uma sala de cinema, onde eram realizados seminários, pequenos cursos e a projeção de filmes. “Era uma sala de arquivar filmes que transformei em uma espécie de sala multimídia. Em 5 minutos virava sala de conferência, palestra ou projeção. Para atender a todas as demandas, criei uma tela que era uma novidade para os padrões da época, podia abaixar ou levantar, mudar ângulos conforme a necessidade do evento. Tinha capacidade para apenas 50 pessoas, mas era um excelente espaço para a realização dessas programações, com todos participantes interagindo nos eventos.”


Nessa época, o espaço limitado e a própria política de funcionamento do Goethe-Institut, faziam com que as atividades culturais fossem desenvolvidas em convênio com outras organizações, como a Fundação Clóvis Salgado, que possuía espaço apropriado para a realização das apresentações vindas da Alemanha.  “Eu fazia até assessoria de impressa, redigia release, a crítica dos filmes, e levava para os jornais. Tudo que eu levava saia. Na época o então responsável pelo 2º Caderno do jornal Estado de Minas e o Dr. Fábio Doyle, do Diário da Tarde, me recebiam muito bem nas redações. Quando eu chegava com os textos ouvia: ‘chegou o Francisco do Goethe!’ Os outros institutos ficavam impressionados! Houve vezes de sair matéria de página inteira no primeiro caderno dos jornais: ‘Jornada de Cinema Alemão no Palácio das Artes’, ‘Susanne Linke’, ‘Pina Bausch’ e o ‘Tanztheater em BH’, lembra as chamadas veiculadas nos periódicos mineiros. 

 
Censura
Como na cena da janela, o Regime Militar continuou a se fazer presente na vida de Francisco.  “O Goethe-Institut detinha certa imunidade ante o Regime Militar, por ser identificado como entidade do governo alemão. Apesar do respeito, todos os filmes já chegavam com o certificado de censura. Assim que os rolos desembarcavam no Brasil, eles eram enviados para Brasília, onde eram providenciadas as cópias para as duas centrais de distribuição do Goethe, uma em Salvador e a outra em São Paulo, com os devidos certificados de censura.”

Na década de 1980, houve o esforço em Belo Horizonte para projetar o polêmico filme de Jean-Luc Godard, ‘Je vous salue, Marie’ (1985). Outros estados do país já haviam exibido o filme, mas a Igreja impedia sua projeção em Minas Gerais.  Na tentativa de transpor a censura, foi organizada uma junta de juízes e militares, para verificar a possibilidade fazer a projeção em Minas Gerais. “O Goethe-Institut não podia se posicionar politicamente, e nós como funcionários também não podíamos nos envolver. Por isso a instituição era quase um território neutro”.

O posicionamento político do Goethe-Institut e o fato de ser, segundo Francisco, “a única instituição com o equipamento necessário para rodar um filme de 16 milímetros”, a elegeram como a responsável pela projeção, para a junta, do polêmico filme de Godard,. “Na hora da sessão, marcada para as 15h, a rua estava cheia de chapa-branca, militares censores e juízes. Então reservamos uma sala de aula do Colégio Arnaldo e eu era o responsável por fazer a projeção, o que os militares não aprovaram. ‘Mas quem vai fazer a projeção?’, ‘o rapaz’, ‘Mas ele vai ver?’. Então me perguntaram se eu poderia ligar o projetor e depois sair e ficar do lado de fora da sala. ‘Se acontecer alguma coisa,  a gente grita você’. Mas eu estava numa curiosidade para ver o que estava acontecendo, até o ponto que eu não aguentei. Como as portas do prédio do Colégio Arnaldo eram aquelas velhas e antigas, ainda tinha aquelas fechaduras enormes, eu me inclinei e olhei. Para minha surpresa, estavam todos dormindo diante da projeção.” Segundo Francisco, mesmo sem ter assistido o filme, a junta manteve a proibição. ‘Je vous salue, Marie’ só viria a ser liberado anos mais tarde.

Um dos responsáveis por fornecer vídeos a diversos cineclubes de Belo Horizonte, inclusive o da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (FACE/UFMG), e da sala Humberto Mauro, a cinemateca do Goethe-Institut contava com cerca de 500 filmes em seu acervo. “Eram filmes documentários, culturais, sobre teologia e a história da Alemanha. Os centros Goethe-Institut de São Paulo e Salvador forneciam os filmes de longa-metragem e ficção”. Em Minas Gerais, Francisco contava com aproximadamente 60 cineclubes cadastrados, para empréstimo de filmes. “Até Manhuaçu tinha cineclube!”.

Entretanto, por volta dos anos de 1990, Francisco começou a ouvir comentários de que o Goethe-Institut seria fechado. Assim, em 1995, ele alugou a sala de número 115, na Savassi. “Como na Alemanha é usado o sistema de vídeo PAL, europeu, eu vi que havia uma demanda enorme na época para transcodificação de vídeos do sistema brasileiro para o europeu e vice-versa, então me especializei nisso. No início meu irmão tomava conta para mim, recepcionava e pegava o trabalho durante o dia, e eu vinha à noite, após o trabalho no instituto”. A rotina entre o instituto e a Eurovídeo se prolongou por dois anos, quando em 1997 as cortinas do Goethe-Institut se fecharam para dar vida à nova empreitada de Francisco.

Dentre os diversos aspectos que podem ter contribuído para o fechamento do centro em Minas Gerais, para Francisco, um dos principais motivos teria sido a unificação da Alemanha. “Naquele período o Goethe-Institut precisava expandir suas unidades, mas reduzindo custos. Então eles fecharam os centros que não tinham sede própria, como o de Belo Horizonte. É uma pena, porque a cidade ficou órfã do movimento cultural alemão que se fazia aqui”.

No entanto, próximo de se aposentar, Francisco requereu o direito proporcional ao tempo de trabalho e decidiu partir para o município de Santo Antônio do Monte, onde construiu uma casa para a família com um estúdio de vídeo no subsolo. Contudo, ele não contava que os clientes conquistados em Belo Horizonte sentiriam sua falta. Requisitado pelos clientes e também amigos – grande parte localizados na capital mineira– , Francisco retomou os trabalhos na sua Eurovídeo, que completa 17 anos em 2012.

Hoje, ainda na sala de número 115, Francisco trabalha somente com a demanda que diz dar conta. “Sou eu sozinho para fazer tudo. E apesar de não parecer, minha rotina é muito agitada. Toda semana vou para Santo Antônio do Monte na sexta-feira, às 14h, e volto segunda-feira após o almoço.”

Se dividindo entre Belo Horizonte e Santo Antônio do Monte, onde residem sua esposa e filhos, Francisco corre contra o tempo. “Quando eu chego aqui na segunda-feira às 14h, já deixei no serviço a minha esposa, que é Supervisora Escolar em Santo Antônio do Monte, deixei minha filha em Divinópolis, onde cursa Direito, passei na casa da minha mãe, no Coração Eucarístico, para verificar como ela está, e já visitei meus fornecedores”. Foi por conta de iniciar o expediente, na segunda-feira, às 14h, que Francisco colocou os versos de Renato Teixeira e a frase retirada do livro ‘O Pequeno príncipe’. “Antes o pessoal chegava e dizia: ‘Eh! Francisco, que vida boa! Estava na fazenda, pescando!’ Com isso ninguém mais brincou comigo. Até os meus clientes ficaram mais pacientes. Já sabem quais são meus horários e respeitam”.
 
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Francisco analisando filme de 16mm
Foto: Aline Xavier
 
Na Eurovídeo, além de fazer a inversão do sistema de leitura de vídeos que clientes trazem da Europa, o que já não representa o principal trabalho, pela própria mudança, evolução e transformação das mídias, Francisco também realiza a telecinagem de filmes Super-8, 16mm; transfere slides, fotos e LaserDisc para DVD; converte disco de vinil e fita K7 para CD, e cópias de CDs e DVDs, trabalhos que podem ser solicitados não somente às segundas-feiras,  mas de terça a quinta, de 9h30 às 19h30.

Aspirações de documentarista

Distanciando-se das atividades rotineiras na Eurovídeo, nas imersões no campo do cinema documentário, Francisco gravou e produziu no final dos anos 90, sob encomenda da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, o vídeo documentário ‘Vida e missão das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo’, realizado com o objetivo de mostrar o trabalho desenvolvido pela Província de Belo Horizonte no Brasil. “Foi uma grande jornada de trabalhos e viagens que compreenderam 56 cidades de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Tocantins. Nesse último estado estive na Ilha do Bananal em filmagens nas aldeias indígenas, quando participei como voluntário junto com as irmãs no combate ao fogo que queimava terrenos dos colonos na cidade Sandolândia.”

Posteriormente, Francisco teve a oportunidade de refazer todo o trajeto feito pela Companhia há 150 anos, desde sua chegada ao Brasil, no Rio de Janeiro, até o estabelecimento em Mariana, em Minas Gerais. “Percorremos todo o caminho que elas fizeram quando vieram montadas no lombo de cavalos, passando pela antiga Estrada Real”.  O trabalho resultou no documentário “Páginas da história da caridade Vicentina no Brasil”, produzido em comemoração aos 150 da chegada da Companhia no país.  
Dentre as produções de Francisco, ele destaca o documentário sobre a vida do engenheiro Geraldo Parreiras (2010), e um segundo trabalho pautado na origem da coleção de peças de arte sacra de Geraldo Parreiras, adquirida pelo Museu Mineiro. “Fiz um documentário contando como o Geraldo Parreiras adquiriu as peças. Agora, com a reforma do Museu Mineiro, estou com a proposta de fazer um novo documentário sobre o Museu, partindo da Coleção Geraldo Parreiras de Arte Sacra. Só estou aguardando a autorização da Direção do Museu para o início das gravações. De certo modo, ao mostrarmos as peças expostas, concluímos o percurso iniciado no documentário sobre a origem da coleção. Mas a proposta é abranger o Museu como um todo, não se limitando à coleção, porque no futuro, o objetivo é disponibilizar o documentário na recepção do Museu e, após a visita, o interessado poderá levar uma boa recordação ou mesmo um presente para alguém, assim como fazem no Louvre, em Paris”.

Outra ideia que permanece entre as aspirações de Francisco, é a de produzir um filme de ficção. “Mas ainda não tenho um tema, nem o roteiro”. Enquanto as novas produções não chegam, Francisco segue sua rotina na Eurovídeo que, em breve, passará a se chamar Retro (Cine, Áudio, Vídeo) Cult. O novo nome, repleto de agregados, vem como, numa contradição, atualizar o conceito do espaço que encanta por retratar o passado.

Por Aline Xavier 
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