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Enviado por admin em 18/08/2011 11:57:40 ( 1761 leituras )

Conheça Samy Huven, o Batman brasileiro que alcançou um certo reconhecimento entre os fãs do homem morcego. "Eu sempre quis fazer parte dessa história, da sociedade de pessoas que gostam do Batman. Hoje me sinto muito gratificado, especialmente por contribuir para a realização dos sonhos de muitos, inclusive dos meus".

 
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Por Natália Boaventura

No dia 12 de janeiro de 1966 estreava na televisão brasileira uma série totalmente inusitada, com uniformes pouco convencionais, ângulos de câmera um tanto ousados e estranhos vilões, tudo isso acompanhado de uma trilha sonora divertida e inovadora. O Batman, ou homem morcego, chegava à telinha juntamente com seu parceiro Robin e toda a Gotham City, caindo no gosto popular. O sucesso do personagem foi tamanho que, desde a época até os dias atuais, objetos de diversos tipos podem ser encontrados com seu símbolo. Além disso, Batman também marcou presença na música, como em “Gotham City”, de Jards Macalé, cujos trechos evidenciam algumas características do homem morcego: “No cinto de utilidades as verdades/ Deus ajuda a quem cedo madruga em Gotham City / [...] No céu de Gotham City há um sinal/ [...] Cuidado! Há um morcego na porta principal”.

Enquanto milhares de crianças e adultos se admiravam com a série, em uma pacata rua na zona leste da capital mineira, um pequeno belohorizontino torcia diariamente para que o motorista de seu escolar o deixasse mais cedo em casa. Em uma bem humorada entrevista ao Escritório de Histórias, Samy Huven, nascido no ano de 1960, mostra sua paixão pelo herói morcego desde criança, atendendo, inclusive, pelo apelido de Batman.

Batmania: o início

“Quando tinha de 6 para 7 anos e estava no colégio, eu era um dos últimos alunos a ser entregue pelo escolar. Ao chegar em casa, só conseguia ouvir o final da música que anunciava o término da série do Batman e aquilo me dava uma vontade maior ainda de assisti-la. De vez em quando, eu pedia ao motorista que me levasse primeiro, mas, como ele morava pela vizinhança, isso raramente acontecia. Às vezes, ele me olhava e dizia ‘Hoje você vai primeiro’, e eu finalmente conseguia assistir a um capítulo inteiro. O fascínio pelo Batman só foi crescendo e aquilo tudo me chamou a atenção desde o início”.

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Samy conta que tudo no seriado era fantástico aos seus olhos e, mesmo na fase adulta, não abandonou idéia de fazer parte, de alguma maneira, da história de seu super-herói predileto. “Eu achava fantástico aquilo de o Batman levantar a cabeça do busto de Shakespeare para apertar o botão secreto, a estante se mover, ele descer por um dos dois postes e trocar de roupa automaticamente. Quando descia, chegava numa caverna incrível, cheia de máquinas, computadores e, no centro, havia um fabuloso carro que se chamava Batmóvel (Batmobile). O Batman e o Robin pulavam dentro dele e saíam a uma velocidade muito grande da caverna para combater os crimes. Esse tipo de coisa me marcou, ficou comigo para o resto da vida”.
Como toda criança fanática por Batman daquele período, Samy queria muito ganhar um carrinho Batmóvel, vindo da Inglaterra, e que, naquela época, possuía um custo muito elevado, não compatível ao orçamento de seus pais. “Um dia, no colégio, eu caí do escorregador de cabeça e fiquei dois dias desacordado. Quando despertei, minha avó, Paula Huven, comprou para mim o carrinho lá na Guanabara, na Espírito Santo, e como era costume que eu brincasse lá, as moças ajudaram no preço. Eu tenho o carrinho até hoje e é algo importantíssimo para mim, que guardo com muito carinho, porque uma parte da minha vida está ali”.
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Samy conta que, ao contrário de muitos dos fãs do homem morcego, não conheceu o Batman através dos quadrinhos. “Eu o conheci pela série da televisão e li pouca coisa dos quadrinhos, já que a história é bem diferente, mais ou menos como nos filmes mais recentes. O Batman que eu conheço é mais culto, centrado na lei, enquanto que o das revistas, apesar de sempre auxiliar a polícia, procura fazer justiça com as próprias mãos, utilizando-se de sua força. O Batman dos anos 60 era tão fiel à lei que, por exemplo, se o Robin dissesse que estava com fome e o pedisse para acelerar o carro um pouco, ele dizia que, segundo a placa de trânsito, sua velocidade não poderia ultrapassar 50 milhas. Quando seu parceiro prezava pela praticidade e sugeria que arrombassem uma porta, o homem morcego dizia que, ou eles conseguiriam abrir a porta, ou subiriam de corda. O Batman nunca faria algo contra lei”. Segundo Samy, a série dos anos 60 era bastante educativa e, por esse motivo, muitos pais gostavam que seus filhos a assistisse. “O herói dava uma visão mais educada das coisas. Eu já ouvi comentários de pessoas que se tornaram policiais ou advogados por pensarem nos conselhos que o Batman deu. Nos dias de hoje, o pessoal prefere algo com mais ação, mais emocionante, mas não tem ensinamento nenhum. É o herói pelo herói”.

Com a evolução tecnológica e o acesso facilitado a computador e internet, Samy teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a série. “Eu comecei a ler mais, achar mais informações, porque todo mundo passou a divulgar as coisas on-line. Os quadrinhos eram mais sombrios e, como a realização de filmes era mais dificultada, eles continuaram, até pelo fato de terem muitos fãs. Pelo que eu soube, Adam West e Burt Ward, desde o final da série, dublaram as vozes de seus personagens no desenho animado”, relata.
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A série Batman, anos 60 

O pequeno Samy cresceu e, com o tempo, pôde assistir a todos os episódios da série da qual era fã desde criança. Para ele, o primeiro ano do programa foi o melhor, por se tratar de uma idéia nova no momento e por muitas das cenas gravadas terem sido realizadas uma ou duas vezes e guardadas em arquivos. Segundo Samy, a maioria das cenas do segundo ano consistia em diálogos entre os vilões e o Batman e, as restantes, eram muito repetitivas. Posteriormente, o custo da produção foi se tornando inviável pelo fato de cada meia hora de gravação custar um total de 65 mil dólares, financiados inteiramente pelos patrocinadores. A mansão Wayne, por exemplo, foi alugada por poucos dias, apenas para a gravação de tomadas externas. Internamente, a casa foi arquitetada em um grande estúdio da Califórnia.

Samy conta que, um dos fatos pitorescos da série, era o de que muitos artistas famosos, inclusive o Frank Sinatra, tinham interesse em fazer parte do elenco como vilão. Entretanto, cada anti-herói era cuidadosamente estudado e conseguir esse papel não era algo tão simples. Para resolver o impasse, optou-se pela aparição das celebridades em alguma janela dos prédios que Batman e Robin teriam que escalar para chegar ao esconderijo do vilão. Ao todo, 14 pessoas famosas apareceram na “batjanela”, sendo a primeira o ator, produtor, diretor e escritor de cinema norte-americano Jerry Lewis.

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“Quando a série atingiu o segundo ano, os scripts, ao meu modo de ver, foram ficando mais fracos. Ao contrário da primeira fase, que era um pouco mais violenta, optou-se por puxar para um lado mais cômico, para diminuir a violência, o que acabou ficando desgastado. No terceiro ano, a audiência da série havia caído muito e, diante disso, a Batgirl entrou em cena, interpretada por Yvone Craig”. Além dessa mudança, outros aspectos do programa foram modificados, como a diminuição do suspense ao final de cada episódio, que prendia o telespectador e despertava seu interesse para assistir ao próximo. Nessa fase, foram gravados poucos episódios, sendo a série cancelada no meio do terceiro ano de exibição, em março de 1968.

“No período de contrato do programa, não era possível que os atores realizassem outros trabalhos, o que contribuía para que eles ficassem muito ligados ao personagem, quase rotulados. Por esse motivo, os Batmans da atualidade fazem um ou dos filmes somente”. Segundo Samy, o ator Adam West não obteve muitos papéis após a interpretação do homem morcego, ainda que seja um excelente profissional. Assim como seu parceiro de série, Burt Ward também fez poucos filmes após o término do programa. Durante algum tempo, fizeram algumas aparições ligadas diretamente à série, mas West se recusava a comparecer algumas vezes. “Na minha opinião, o Adam é o próprio Batman, aquele homem que estudou, sempre tirou as melhores notas da faculdade, é bem entendido sobre muitos assuntos e o ator soube aplicar muito bem essas características ao personagem”, destaca.

 

O fascínio pelo Batmóvel

O veículo utilizado pelo homem morcego, chamado de Batmóvel, passou por uma série de transformações e adaptações até atingir a etapa final. O carro estreou sua aparição no cinema em 1959, no filme ‘It Started With a Kiss’, com Debbie Reynolds e Glen Ford. Depois disso, ficou um longo tempo sem ser utilizado, sendo mantido em um local junto a outros itens velhos. “Um conhecido construtor de carros de Hollywood, George Barris, adquiriu o carro, modelo Lincoln Futura por apenas um dólar, deixando-o em seu estaleiro por um determinado tempo. O carro já era muito bonito”. No ano de 1965, houve a necessidade de se construir um Batmóvel no curto período de 3 semanas até o início das gravações, ocasião em que o carro adquirido por Barris foi brilhantemente utilizado. Contratado pelos estúdios da Fox, o customizador desenvolveu um carro de design moderno, acompanhado de referências à alta tecnologia e provido de acessórios que denotavam o morcego.

“Por se tratar de um concept car, não havia garantia de sucesso. Inicialmente, o carro não era estável, não possuía um bom freio e, nas primeiras semanas de filmagem, não obedecia ao seu condutor, chegando, inclusive, a ser batido em uma das gravações. Além disso, por seu peso de quase 3000 quilos, os pneus furavam com freqüência e, após terem sido colocados todos os acessórios necessários no interior do carro, a bateria necessária para mantê-lo funcionando era muito maior. A Fox ficou um pouco descontente com os problemas apresentados, mas o carro já era um sucesso. Modificado novamente por George Barris, o carro voltou novo, mais confiável e, após a substituição dos pneus por uma linha mais resistente, todos os problemas foram resolvidos”. 

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Com o início e sucesso da série em 66, o carro alcançou uma popularidade significativa e, como não era possível que a Fox interrompesse as gravações para expô-lo, foram feitas três réplicas destinadas à apreciação do público de todo o mundo. “A equipe não conseguiu as mesmas coisas para todos os carros, mas nem todo mundo prestava atenção nesses detalhes. Cada carro tinha características distintas, fazendo com que fossem classificados em nº 1, 2, 3 e 4. Com o fim da série, George Barris vendeu as réplicas e ficou com o original, que também acabou sendo posto à exibições. Eu não sei em quais condições o carro foi devolvido ao Barris pela Fox, mas hoje, mesmo estando no Museu Petersen, em Los Angeles, não mantém as mesmas características do carro da série”, explica.

Samy conta que, atualmente, o carro valeria, aproximadamente, um milhão e meio de dólares, mas não se tem interesse em vendê-lo. Um dos motivos de o carro ter sido levado a museu é pela quantidade de visitações que eram feitas a George Barris. “Em 2001, logo após o 11 de setembro, fui para Los Angeles conhecer as instalações utilizadas pela série e lá permaneci por 5 dias. Muita gente me aconselhou a desistir devido ao caos dos aeroportos, mas era o meu sonho e eu resolvi ir com a minha esposa. Cheguei à casa do George Barris sem marcar horário e, no dia, ele não pôde me atender, mas deu um cartão que me encaminhava ao museu. Como o que estava exposto era uma réplica e, quando estava saindo da casa, eu consegui ver um pequeno pedaço do original, resolvi voltar no outro dia e tentar mais uma vez. Na ocasião, o filho do George, Brad Barris, veio conversar comigo muito cordialmente e me mostrou o carro. Foi um choque, uma emoção indescritível”, confessa.

Um dos projetos de Samy Huven é construir uma réplica do Batmóvel, façanha que, mesmo não tendo sido possível até o momento, já conta com algumas partes prontas. “Eu já tenho a carroceria guardada em minha garagem, e, alguns dos objetos que produzo, estão destinados ao meu carro. Antigamente, adaptei um velho Monza que eu tinha para que se parecesse com o Batmóvel. Ele era incrível, dava choque, baixava as placas, soltava foguetes e chamava a atenção das pessoas nas ruas. Algumas vezes, quando eu passava, ouvia as crianças falarem ‘Pai, olha o Batman’ e era emocionante”.

Samy conta que, certa noite, ao sair de um determinado evento, foi seguido por um carro estranho, que começou a piscar os faróis para ele. “Quando vi que os indivíduos no interior do carro não pareciam muito amigáveis e que não parariam de me seguir, soltei uma espécie de foguetes do carro, o que os assustou e fez com que desistissem da perseguição. Eu me senti o próprio Batman”, conta. Infelizmente, o antigo protótipo de Batmóvel de Samy não foi permitido circular pelas ruas com todos aqueles apetrechos, fazendo-o adiar o sonho de ter o seu próprio carro morcego.

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O território Wayne 

Em sua visita a Los Angeles, Samy conheceu também a real caverna utilizada nas gravações, localizada no Griffith Park, em Los Angeles. Como os visitantes estavam passando de carro pelo local, a entrada foi fechada e, a partir de um certo ponto, só se pode andar a pé. “A sensação de estar lá é quase inacreditável. Você vê aquele cenário na televisão, em preto e branco e, de repente, está lá, onde outras pessoas já estiveram, já viveram, morreram, fizeram a vida naquele lugar... é uma coisa muito forte”. Samy conta que a caverna, na verdade, era um túnel e só foi utilizada externamente, tendo sido, inclusive, filmada em outras produções cinematográficas. Por ser muito estreita, o carro entrava, era retirado de ré e posto do outro lado, para gravar a saída. Até hoje, o local está aberto para visitação e a entrada é gratuita.

“Assim como a batcaverna, a casa que foi filmada como mansão Wayne só foi utilizada externamente. A casa é particular e fica em Pasadena, em Los Angeles, na avenida San Rafael. Tive uma certa dificuldade em encontrá-la, já que, no local, os números ficam no chão, mas contei com a ajuda de um americano que, por coincidência, é filho de brasileiros, mas não falava português. Quando toquei a campainha, uma senhora atendeu o interfone falando em espanhol e, após algum tempo de conversa, permitiu que eu fotografasse a casa, mas somente do lado de fora. Ela abriu um portão imenso e, logo na entrada, havia uma pequena alameda, que dava numa praça redonda. Era uma casa maravilhosa, tirei várias fotos e agradeci muito, porque a senhora foi bastante cordial comigo”, relata Samy.

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Encontro de Batmans 

Até os dias atuais, o ator Adam West (1928), que intepretou o personagem Batman durante toda a série, é lembrado por suas aparições como o homem morcego. Como um fã de primeira, Samy não poderia perder a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. “Eu fiquei sabendo, lendo na internet, que o Adam West estaria em Orlando em 2003 e mandei um e-mail para a pessoa que estava organizando a feira, o Tim, que, além de ter me permitido adquirir uma credencial VIP, conversou com o próprio Adam West sobre mim. Como cheguei antes do evento começar, acompanhei a arrumação e conheci uma série de pessoas, inclusive algumas com as quais já havia conversado pela Internet. Nessa época, eu já vendia meus telefones e outros objetos do Batman, ao passo que muitas pessoas elogiaram meu trabalho e perguntaram se eu havia levado algo. Estavam comigo poucas coisas e, caso fosse de meu interesse, Tim permitiu que eu fizesse o meu trabalho. Além disso, levei também alguns presentes para o Adam West, os entreguei durante a agradável conversa que tivemos. Entre tantos assuntos, mencionei que descer pelo poste era fácil, mas várias vezes o tinha visto subindo. ‘Aquilo realmente funcionava?’, perguntei, e ele respondeu que sim, pois não era tão alto quanto parecia, apenas a ponto de a câmera não vê-lo mais. Havia um jato de CO2 muito forte, capaz de fazer seu corpo subir. Quando indaguei sobre a série, ele me disse que tinha sido um trabalho de grande prazer e que, até hoje, rende bons frutos”.

Samy relata que, na ocasião, o ator não pôde aceitar seus presentes, mas deu um endereço de caixa postal para que eles fossem enviados posteriormente. “Depois, ele me disse que adorou e que havia colocado em suas coisas pessoais Adam contou também que guarda algumas coisas de seu tempo de Batman, mas até hoje se arrepende de não ter o traje do homem morcego”. Além de Adam West, Samy conheceu também Yvone Craig, primeira intérprete da Bat Girl e Julie Newmar, a vilã mulher gato.

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A Bat oficina 

Segundo Samy, quando seu pai, Harry Huven, era vivo, sempre deu muita força ao filho para que investisse na área de som e lidasse com as coisas do Batman. “A partir do momento em que a situação passou de brincadeira para negócio, acho que ele ficou um pouco mais entusiasmado, assim como minha mãe. Ainda assim, ela dizia que esse negócio de Batman não era normal e que era preciso me levar ao médico”, lembra. Adolfo Huven, seu avô, era muito inteligente, habilidoso com as mãos e tinha um certo gosto pela invenção. “Acho que eu puxei a ele nesse sentido, sempre fui muito curioso, gostava de inovar. Meu pai sempre falava ‘Samy, cuidado com o que você vai fazer’ e, quando se ouvia barulhos estranhos, ele gritava ‘Pode ir lá ver que o Samy deve estar fazendo alguma coisa’. Eu já mexi muito com eletricidade, mas no início quase pus fogo na casa. Fui experimentando coisas novas e aprendendo com os erros”, relata.

No início do ano de 2001, Samy Huven passou a fabricar alguns produtos ligados ao personagem Batman, especialmente o telefone vermelho do Comissário Gordon. “No início, o telefone era muito rudimentar, tanto que, muitos dos que fabriquei, voltaram por problemas técnicos. Eu fazia a troca, sem nenhum problema, sempre tive boa reputação nesse ramo. Com o tempo, fui aprimorando minha criação, até chegar no telefone atual.” Samy conta que, no período em que decidiu iniciar a fabricação do telefone, utilizou-se das imagens da série gravadas em fita VHS. “Quando o telefone estava em evidência, eu pausava a fita e fotografava para poder observar cada detalhe. Eu já havia feito o aparelho com efeito de luz e campainha, mas, depois de um tempo, fui idealizando um sistema eletrônico para que a pessoa pudesse ter também um telefone funcional. O telefone que eu fabrico, com o redoma de vidro, era aquele que ficava com o comissário Gordon e tinha que estar muito bem protegido, porque era seu contato mais eficiente com o Batman”, explica.

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Segundo Samy, o custo inicial para fazer os telefones era um tanto elevado, principalmente porque, durante um certo tempo, muitos dos itens utilizados tinham que ser importados. Ele conta que, ainda que a procura pelo aparelho seja grande, já foi maior anteriormente, já que não é possível atender a muitas encomendas ao mesmo tempo. “Cada telefone é feito por mim, um por um, manualmente, o que não permite que o processo seja tão ágil. Além disso, essa não é a minha principal ocupação, fazendo com que o tempo disponível para me dedicar à fabricação dos objetos seja escasso".

Além do telefone, Samy produz uma série de outros objetos do Batman, como placas de carros, botões e lentes. Ele acredita que, do total de pessoas que possuem uma réplica do Batmóvel, pelo menos 70% têm alguma coisa provinda de sua oficina. Muitos de seus clientes, após a compra, enviam fotos, mostrando as peças já postas no carro ou utilizando-se do telefone vermelho. “Recentemente, foi realizado um filme do Batman com crianças no qual eu produzi a maioria das peças que estavam no interior do carrinho. Até o momento, o filme foi veiculado apenas nos Estados Unidos e consta, nos créditos finais, o meu nome. Eu sempre quis fazer parte disso e consegui”, explica. Samy conta que, além dos habituais objetos, já fabricou alguns por encomenda, como um acessório para a moto do Batman, de um amigo.

Atualmente, não se pode utilizar a marca Batman sem o pagamento de royalt. Por esse motivo, Samy tem diminuído gradativamente sua produção. “A marca tem um dono e, quando tomei a decisão de fabricar os produtos, meu pai teve uma certa preocupação com os direitos legais. Eu pesquisei na Internet e conversei com outras pessoas mais entendidas do assunto, que me aconselharam a não me expor ou vender muito. Assim como eu, várias pessoas queriam ter o telefone do Batman e precisavam de uma garantia de que iriam recebê-lo, porque, várias vezes, comprei mercadorias pela Internet que nunca chegaram”. Samy afirma que, aos poucos, pretende parar sua fabricação, mas alega que nunca será capaz de cessá-la como um todo. “Eu sou um realizador de sonhos dos fãs dos Batmans. Acho muito difícil parar completamente porque, se um pai me liga dizendo que o sonho do seu filho é ter o telefone do Batman como presente de aniversário, dificilmente vou ser capaz de recusar”, confessa. Samy conta que nunca produziu artigos relacionados ao Batman com a intenção de obter lucros e, muitas vezes, paga mais do que recebe. “Ainda assim, é muito gratificante ver alguém feliz pelos artefatos que eu mesmo produzi”, acrescenta.

 

No mesmo Batlocal
Através de seu trabalho, Samy alcançou um certo reconhecimento e muitos dos fãs do homem morcego já ouviram falar dele. “Eu sempre quis fazer parte dessa história, da sociedade de pessoas que gostam do Batman. Hoje me sinto muito gratificado, especialmente por contribuir para a realização dos sonhos de muitos, inclusive dos meus”, conta.

Para saber mais sobre o Batman brasileiro, acesse o site http://www.tiptopsom.com.br e confira mais fotos e detalhes sobre o seu trabalho. Quem quiser matar a saudade ou conhecer mais, está disponível no Youtube a abertura da série do Batman dos anos 60, através do link http://www.youtube.com/watch?v=eWSoBwrOp0I&feature=related.

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