“A Arte de Conduzir” talvez seja o título mais apropriado para este livro. Arte que sobra na fala delicada, precisa e carinhosa da Sra. Ilda, quando reflete sobre a formação de sua família com o companheiro Flávio. Lembra com detalhes das dificuldades no início da vida a dois e do comprometimento e carinho de um com o outro, conduzidos pelo laço amoroso e pela proteção divina:
- Eu acho muito importante deixar gravado para os netos e bisnetos a nossa trajetória de vida. Nós saímos lá da fazenda numa situação precária. O Flavinho tirando o leite das vacas, levando pra eu fazer queijos que seriam vendidos na cidade. Ele largou o avião com que fazia transporte aéreo, nos casamos e fomos morar na fazendinha do Poço D’água, numa casa muito simples que ele ajudou a construir junto com os pedreiros.

Arte que também sobra no empreendedor Flávio quando a memória se desabrocha em lembranças sobre o passado de quem soube, com simplicidade e ética, conduzir muito mais que ônibus, associando negócios à família. Flávio lembra-se do início romântico da vida, quando as dificuldades eram levadas também com humor:
- Lá na fazenda, um galo cantava: ‘O dia invém aí!’ O outro respondia: ‘O dia invém aí!’ A gente abria a janela e estava lusco-fusco, mais fusco do que lusco, e a gente pulava pra fora. Enquanto Ilda ia fazer o café, eu prendia as vacas e os bezerros mais novos e começava a tirar leite. Ilda fazia os queijos. Mas quando, no final do mês, fazíamos as contas, víamos que a renda era pouca e que seria preciso procurar outra coisa para fazer. Nessa época, já tínhamos dois filhos, a Mary e o Flávio Antônio.

O casal Flávio e Ilda, depois de mais de 50 anos de amor e vida em comum, contempla com orgulho o rumo que deu às suas vidas e que propiciou aos seus sete filhos, que souberam seguir os seus ensinamentos em todos os sentidos. Não só continuam a obra dos pais como a diversificam dentro dos novos preceitos do mercado competitivo, com a mesma garra e valores aprendidos com os pais. |